...um pouco de loucura não faz mal a ninguém.
Tô brincando de ser ilha;
Tô indo viver a beleza da incerteza.
=D
quinta-feira, 29 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Insanos, imbecis e inteligentes
Nunca vi um débil mental hesitar. Todo imbecil é convicto. O inteligente não tem certeza de nada.
P.S: não entenda o post como grosseria. São apenas constatações cotidianas (todas, até o referido momento, foram 100% verdadeiras) XP
P.S: não entenda o post como grosseria. São apenas constatações cotidianas (todas, até o referido momento, foram 100% verdadeiras) XP
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Do que não foi
O que não vivemos pode ficar dentro, algo torto, meio morto, como um espinho que a pele não rejeita, cobre de tecido e, com o tempo, a gente nem sente mais. Pode ficar lá silente e imóvel, jóia perdida no mar enterrada na areia, de resgate impossível. Pode ser esquecido poema escrito em um caderno em desuso, metido no fundo de uma caixa qualquer. Pode se tornar inerte e seco, rosa prensada dentro de um livro, ameaça inócua e longínqua. E podemos não lembrar mais, e já não doer mais, e já não incomodar mais, e já não vir seu nome visitar a língua. Podemos não calçar mais seus sapatos e nossos dias podem deixar de ser sombras dos seus sóis. Até que alguma onda revolve a terra e traz à praia aquele tesouro, até o dia que a pele inflama e o espinho coloca a ponta para fora, até o dia em que um poema, uma música ou a vida, por qualquer crueldade dessas em que ela é especialista, nos segura pelos ombros e nos cospe nos rosto. Então nos surpreendemos com o quanto conseguimos nos enganar e por quanto tempo.
Isadora Calderaro Soares
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Conspiração
Eu realmente acredito piamente que, em algum lugar desse universo, deve haver uma conspiração quântica para fazer com que aquelas coisas desaparecidas há muito, mas muito tempo mesmo, reapareçam cruelmente em um determinado momento, simplesmente do nada, em lugares que a gente mexeu todos os dias nos últimos anos e nunca estiveram lá, com a mais absoluta certeza. Mas aí um belo dia sabe-se lá porquê (aqui deve entrar uma equação tão cheia de variáveis que seria necessário um supercomputador que faria os da previsão meteorológica parecerem relógios-calculadora) reaparecem, plim, para nos dar um enorme murro no meio da cara. Just like that. Então primeiro a gente sente o sangue nos fugir das faces e das mãos e direcionar-se T.O.D.O para o estômago. Faltam forças, falta chão, falta profundidade em tudo que nos cerca, o mundo vai ficando progressivamente monocromático e contrastante até aquele ponto que antecede o desmaio. Aí, se a gente for forte o suficiente, consegue achar entre as coisas que se movem como se derretessem tal como uma tela do Dalí, um lugar para sentar e evitar se esborrachar no chão feito um saco de batatas. Feito isso, a cabeça está girando, mas só a parte de dentro dela. A gente tenta obter um referencialzinho que seja e tudo na volta desaparece. Só AQUILO existe. Aquilo e tudo que aquilo trouxe de volta, como se aberto estivesse um ralo para outra dimensão do tempo e do espaço que acaba de lhe sugar pra dentro. E então você está lá, de volta lá, naquele dia, naquela hora que você julgava perdidos para sempre, com aquela luz e aqueles cheiros, com os rostos das pessoas vívidos e perfeitos, as vozes claras, você de volta naquele seu corpo, dentro daquela roupa, daqueles sapatos, ostentando aquele sorriso que não doía, de posse daqueles olhos brilhantes cheios de inocência imbecil, com o peito rebentando de felicidade e certezas tão absolutas quanto cegas, coisas essas que você só saberia muito mais tarde, muito mais tarde, quando numa tarde de sol você abrisse uma gaveta que você tinha aberto incólume todos os dias até então e encontrasse aquele pequeno pedaço de você. Perdido. Para sempre.
Isadora Calderaro Soares
P.S: O quadro do início do texto é Persistência, de Dalí *-*
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Sem meio termo
Não se vive aos cadinhos. Não se esmola vida. Não se pede licença para existir. Não se existe de favor. Viver é se apoderar dos instantes, copular com os dias, apossar-se do estar sendo, empenhar-se no mundo dos sentidos, do agora. Viver é se rasgar por dentro, deixar-se arranhar pelos cílios do medo, vibrar na alta frequência do desmedido, enfiar a língua entre os dentes da insanidade, parir-se ao contrário todas as manhãs. Viver não é um exercício de preservação, mas de flagelo. Não há resguardo possível àqueles que estão vivos, nem prudência, nem moderação. Vida é o caminho que se faz todos os dias entre a loucura e a sanidade. E estar vivo é não ter medo de se perder nesse percurso.
Isadora Calderaro Soares
P.S: A gravura do post é Liberdade, do Picasso. :D
P.S: A gravura do post é Liberdade, do Picasso. :D
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Punhados de Sol e de Trevas
Tentou por vezes racionalizar, entender a falta daquele homem de compleições pequenas e sorriso torto. Incrivelmente, não era nenhum daqueles espécimes de tirar o fôlego, talvez nem mesmo interessante fosse. Na verdade possuía aquele sorriso estranhamente disforme, como se tivesse uma paralisia facial ou algo parecido. Era como se ao lado dela ele só conseguisse rir, mesmo que fosse aquele sorrir sem graça, mas profundamente verdadeiro. Não era bonito. Falava pouco, respirava descompassadamente, como se fosse dispnéico,o coração querendo saltar pela boca.
Não era acostumada com pessoas ao seu redor. Na verdade, nunca fora boa com todas essas interações e relacionamentos humanos. Esquivava-se dos outros, levantava paredes imponentes e frias de mármore àqueles que tentassem se aproximar. Não era uma monstra, como ele, uma vez a havia chamado. Ela era medrosa, tendo receio de que a dor viesse outra vez. Toda aquela dor desavisada, em cólicas e interminável. Já não acreditava em um Deus, que olhasse o tempo todo e por todos. Nunca se sentira protegida, guardada. Por vezes ele quis protegê-la. Em uma daquelas ocasiões inexplicáveis onde quem não muito fala resolve abrir a boca, ele lhe havia dito ser seu punhado de Sol. Ela não entendeu, uma vez que em seu mundo só havia espaço para as trevas. “E isso é amor?”, perguntou ela, incrédula. Ele retrucou a incredulidade inflexível dela dizendo: “Não sei o que é amor, nem procuro definição pra isso. Você também não deve procurar. Tudo o que eu sei é que você é meu punhado de Sol.”
Ela mais uma vez não o entendia. Era irônico da parte dele intitulá-la dessa forma. Ela era amarga, diferente do que acreditava ser o Sol, ou um “punhado” dele. Não acreditava no amor. Fazia isso não por cálculo, mas por virtude. Pensava que se evitasse o sentimento, seria menos difícil sofrer ao ver a partida de alguém que sempre acabava indo e não mais voltando. Ela era de uma negatividade doentia, tão palpável que podia ser capturada no ar. Era pura e inexplicavelmente desacreditada, e por que era, acabava no seu íntimo, acreditando.
Queria, mais do que nunca, externar aquela dor visceral, aquela ausência que se fazia presente. Desejava-o mais do que a si mesma, não porque o amasse, mas porque era ele quem lhetrazia todos os franzinos e frágeis resquícios de humanidade. Não o amava, tinha certeza. Por um momento diante daquelas nuances de pôr-de-Sol ela sentiu pela primeira vez a falta que o amor dele fazia. À medida que a escuridão se aproximava, sentia-o mais distante. O coração esmagava-lhe a alma, a vista escurecia, a dignidade ia se esvaindo. A respiração ficava mais difícil, assim como a do homem do sorriso torto. Ele era seu punhado de trevas.
Isadora Calderaro Soares
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Depois de tanto tempo sem postar um texto novo ou alguma novidade, eis eu aqui outra vez. Confesso que deixei o blog de lado, apesar de não ter parado de escrever. Prometo tentar atualizar o blog com mais frequência, tendo em vista a cobrança ( por sinal, muito bem-vinda!) de alguns dos leitores :)
Muito obrigada pelos comentários e por alguns emails que eu recebi, tanto elogiando quanto sugerindo..ou até mesmo pedindo a minha volta. Sem vocês, meus leitores, esse blog não seria nada (apesar do meu período meio clichê, a afirmação é absolutamente verdadeira.)
Deixo vocês aqui com um texto escrito dia desses, baseado nas minhas observações de cada dia. E revoltada, diante da conclusão a que cheguei, escrevi minha indignação. A propósito, a linguagem mais coloquial é intencional. Divirtam-se e deixem suas opiniões! 0/
Desconfio dos absolutismos, dos fundamentalismos, dos essencialismos e dos niilismos. O que nunca dá lugar a outra interpretação, o que é “assim e pronto”, os sempres e os nuncas.. O que é tudo ou nada sempre me cheira mal. É muito fácil assistir da arquibancada e com a cabeça fresca – com os dados postos e a devida reflexão que o distanciamento permite-, arvorar-se de dedinho em riste de senhor da razão e da decência: “Eu nunca faria isso”, “eu jamais faria aquilo”, “se fosse eu...”. Só que não é. E quando a história não é contigo, a coisa é com-ple-ta-men-te diferente. E mais: não me agradam também pessoas que antes de viver qualquer situação têm certeza de como vão se sair ou o que vão fazer e de que forma vão agir. Ai daquele que é escravo das convicções absolutas, que é refém das idéias sólidas e inabaláveis, que é escravizado pelo conceito de tudo que viu e viveu até ali, por mais lindos, corretos, decentes, justos e bem intencionados que sejam. Mil chances a mais de tomar uma verdadeira lambada nos cornos e desnortear pra valer. Vai lá, abra os olhos, reflete. Não sejas petulante achando que consegue se colocar no lugar do outro para julgá-lo ou decidir o melhor a fazer; ninguém consegue. Não sejas arrogante a ponto de achar que sabes exatamente quem tu és; ninguém sabe. O benefício da dúvida, quanto aos outros e quanto a si mesmo, muitas vezes, é o que de melhor se dispõe.
Muito obrigada pelos comentários e por alguns emails que eu recebi, tanto elogiando quanto sugerindo..ou até mesmo pedindo a minha volta. Sem vocês, meus leitores, esse blog não seria nada (apesar do meu período meio clichê, a afirmação é absolutamente verdadeira.)
Deixo vocês aqui com um texto escrito dia desses, baseado nas minhas observações de cada dia. E revoltada, diante da conclusão a que cheguei, escrevi minha indignação. A propósito, a linguagem mais coloquial é intencional. Divirtam-se e deixem suas opiniões! 0/
Desconfio dos absolutismos, dos fundamentalismos, dos essencialismos e dos niilismos. O que nunca dá lugar a outra interpretação, o que é “assim e pronto”, os sempres e os nuncas.. O que é tudo ou nada sempre me cheira mal. É muito fácil assistir da arquibancada e com a cabeça fresca – com os dados postos e a devida reflexão que o distanciamento permite-, arvorar-se de dedinho em riste de senhor da razão e da decência: “Eu nunca faria isso”, “eu jamais faria aquilo”, “se fosse eu...”. Só que não é. E quando a história não é contigo, a coisa é com-ple-ta-men-te diferente. E mais: não me agradam também pessoas que antes de viver qualquer situação têm certeza de como vão se sair ou o que vão fazer e de que forma vão agir. Ai daquele que é escravo das convicções absolutas, que é refém das idéias sólidas e inabaláveis, que é escravizado pelo conceito de tudo que viu e viveu até ali, por mais lindos, corretos, decentes, justos e bem intencionados que sejam. Mil chances a mais de tomar uma verdadeira lambada nos cornos e desnortear pra valer. Vai lá, abra os olhos, reflete. Não sejas petulante achando que consegue se colocar no lugar do outro para julgá-lo ou decidir o melhor a fazer; ninguém consegue. Não sejas arrogante a ponto de achar que sabes exatamente quem tu és; ninguém sabe. O benefício da dúvida, quanto aos outros e quanto a si mesmo, muitas vezes, é o que de melhor se dispõe.
Assinar:
Postagens (Atom)



